quarta-feira, agosto 23, 2006

Homenagem às ABBs

Queridas Amigas que Batem um Bolão,

Vejam abaixo a belíssima homenagem que o nosso “aquecedor” e amigo, Fernando, nos fez.

Este texto foi escrito por ele para a matéria do Correio Brasiliense que, anotem, sairá na Revista do Correio no dia 3 de setembro (data confirmada pela jornalista).

Fernando, obrigada pela lindas palavras e parabéns pela alma de escritor. Ficou muito bacana!
Essa matéria promete...

: )

Daniella Prado.

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Parece que sempre fui um “faz tudo” no time Amigas que Batem um Bolão, como se estivera desde muito ligado emocional e psicologicamente a essa missão. É como um sonho benigno, ou como cair de pára-quedas em um personagem daqueles filmes que narram o valor do esporte e o fenômeno da confraternização e da solidariedade.
A experiência me despertou para uma realidade que estava há muito esquecida em minha vida: a de que aqui é o País do Futebol e não devemos jamais esquecer disso. É pecado desprezar as efervescências cotidianas em nosso País. Aquelas que vibram apaixonadas nos botecos e nas ruas, na verdade compõem o gen brasileiro, além de ser ocasião para se iniciar um papo e uma nova amizade.
Mas o essencial aqui é falar da alma feminina, de seu contato com qualquer coisa, como é que tudo fica depois de seu contágio, é isto que está “em jogo”. O que há de mágico nesses momentos é a oportunidade de ver a alma da mulher em ação, a sua capacidade de transformar tudo em algo muito mais divertido, e com mais vida. Não há dúvida que um mundo sem a mulher seria muito triste, e terrivelmente chato.
No presente caso trata-se do encontro da alma feminina com um mundo que poderia ser considerado exclusivamente masculino, um canto do Éden que Eva não conheceu. Papo furado. Não há lugar no Paraíso onde a mulher não tenha trânsito fácil, e com muito mais graça. O futebol não é exceção. Aquilo que é grosseiro, “viril”, torna-se leve e cheio de graça, às vezes engraçado; os berros se transformam em gritinhos – sem deixar de ter alguns desabafos com palavrões –; as porradas mutam-se em excessivos pedidos de desculpas e trombadas apenas acidentais; as corridas cavalares modificam-se em sutis deslocamentos atrás da bola, muitas vezes aproximando o campo da passarela, e jamais se esquecendo do espelho e da estética; o suor azedo é reprocessado e o campo é invadido por perfumes e aromas de bálsamos; a conversa após o jogo, normalmente carregada de “só futebol” é redecorada e assume tons e coloridos os mais diversos; enfim, o que é horrível transfigura-se em algo extremamente maravilhoso. Como diria toda a torcida masculina: mulher, cerveja e futebol em um pacote só, paradise is here.
por Luiz Fernando Fernández Costa